
Alice in Wonderland - 1865(Lewis Carroll)
"E a conversa morreu.
O grupo ficou silencioso, por um momento, enquanto que Alice procurava lembrar-se de tudo que sabia sobre corvos e escrivaninhas.
Foi o Chapeleiro que rompeu o silêncio:
- Em que dia do mês estamos? - perguntou, voltando-se para Alice.
Tinha tirado o relógio do bolso e olhava para ele com ar inquieto, sacudindo-o de vez em quando e aproximando-o do ouvido.
Alice refletiu um pouco e disse:
- Dia quatro.
- Dois dias de atraso! - suspirou o Chapeleiro. E depois, olhando, de mau humor, para a Lebre de Março: - Eu lhe disse que a manteiga não consertaria o movimento!
- Mas era uma manteiga de primeira qualidade - replicou a Lebre de Março, humildemente.
- Sim, mas as migalhas de pão devem ter entrado no movimento, junto com a manteiga -resmungou o Chapeleiro. - Você nunca deveria ter usado a faca de pão para passar a manteiga lá dentro. A Lebre de Março apanhou o relógio e ficou olhando para ele, com ar desconsolado. Depois, mergulhou-o na xícara de chá e olhou para ele de novo. Mas não achou nada de melhor para dizer do que repetir:
- Era uma manteiga de primeira qualidade.
Por cima do ombro da Lebre, Alice conseguiu olhar o mostrador do relógio:
- Que relógio engraçado! Ele indica o dia do mês e não indica que horas são!
- E por que indicaria as horas, ora essa? - resmungou o Chapeleiro. - Por acaso o seu relógio indica em que ano estamos?
- Claro que não! - respondeu Alice, sem hesitar. - Mas é porque a gente fica muito tempo no mesmo ano.
- Pois é justamente esse o caso do meu relógio - disse o Chapeleiro.
Alice não estava compreendendo nada. O que o Chapeleiro dizia parecia completamente absurdo e no entanto a frase estava certa, sem erros.
- Não estou compreendendo bem - disse, o mais delicadamente possível Rato Silvestre dormiu de novo - respondeu o Chapeleiro.
E derramou chá quente no nariz do Rato.
O Rato sacudiu a cabeça, com impaciência, e disse, sem abrir os olhos:
- Justamente! Era justamente isso que eu ia dizer!
- E então, encontrou a resposta para a minha adivinhação? - perguntou o Chapeleiro, virando-se para Alice.
- Não, desisto - respondeu Alice. - Qual é a resposta?
- Não tenho a menor idéia - respondeu o Chapeleiro.
- Nem eu - disse a Lebre de Março.
Alice suspirou, irritada:
- Acho que vocês poderiam aproveitar melhor o tempo. Ele e precioso demais para ser perdido com adivinhações que não têm resposta.
- Se você conhecesse o Tempo tão bem como eu - disse o Chapeleiro -, você não falaria dele
assim. O Tempo é um senhor.
- Não estou percebendo o que você quer dizer - disse Alice.
- Naturalmente que você não está percebendo - disse o Chapeleiro, sacudindo a cabeça com
desprezo. - Aposto que você nunca falou com o Tempo.
- Não, realmente... - respondeu Alice prudentemente. - Tudo que sei a respeito é que, quando
estudo música, minha professora me diz que é preciso marcar o tempo.
- Então está tudo explicado - disse o Chapeleiro. - O Tempo não gosta de ser marcado. Ele não é nenhuma mercadoria, para que o marquem. Aborreceu-se com você. Se, ao contrário, você estivesse em boas relações com ele, ele faria com o relógio o que você quisesse. Por exemplo, digamos que fossem nove horas da manhã, justamente a hora em que você deve começar a fazer as suas lições: bastaria você cochichar uma palavra no ouvido do Tempo e, num instantinho, o ponteiro do relógio começaria a correr. "E meio-dia - diria ele -, hora do almoço."
- Que bom se fosse mesmo! - disse a Lebre de Março, em voz baixa.
- Seria ótimo, é claro - disse Alice, com ar pensativo. - Mas éque nesse caso... eu talvez não estivesse com fome.
- Talvez não, no momento em que o ponteiro chegasse ao meio-dia. Mas você poderia fazê-lo ficar nessa hora o tempo que desejasse.
- E assim que você faz?"
**************************************************************************O grupo ficou silencioso, por um momento, enquanto que Alice procurava lembrar-se de tudo que sabia sobre corvos e escrivaninhas.
Foi o Chapeleiro que rompeu o silêncio:
- Em que dia do mês estamos? - perguntou, voltando-se para Alice.
Tinha tirado o relógio do bolso e olhava para ele com ar inquieto, sacudindo-o de vez em quando e aproximando-o do ouvido.
Alice refletiu um pouco e disse:
- Dia quatro.
- Dois dias de atraso! - suspirou o Chapeleiro. E depois, olhando, de mau humor, para a Lebre de Março: - Eu lhe disse que a manteiga não consertaria o movimento!
- Mas era uma manteiga de primeira qualidade - replicou a Lebre de Março, humildemente.
- Sim, mas as migalhas de pão devem ter entrado no movimento, junto com a manteiga -resmungou o Chapeleiro. - Você nunca deveria ter usado a faca de pão para passar a manteiga lá dentro. A Lebre de Março apanhou o relógio e ficou olhando para ele, com ar desconsolado. Depois, mergulhou-o na xícara de chá e olhou para ele de novo. Mas não achou nada de melhor para dizer do que repetir:
- Era uma manteiga de primeira qualidade.
Por cima do ombro da Lebre, Alice conseguiu olhar o mostrador do relógio:
- Que relógio engraçado! Ele indica o dia do mês e não indica que horas são!
- E por que indicaria as horas, ora essa? - resmungou o Chapeleiro. - Por acaso o seu relógio indica em que ano estamos?
- Claro que não! - respondeu Alice, sem hesitar. - Mas é porque a gente fica muito tempo no mesmo ano.
- Pois é justamente esse o caso do meu relógio - disse o Chapeleiro.
Alice não estava compreendendo nada. O que o Chapeleiro dizia parecia completamente absurdo e no entanto a frase estava certa, sem erros.
- Não estou compreendendo bem - disse, o mais delicadamente possível Rato Silvestre dormiu de novo - respondeu o Chapeleiro.
E derramou chá quente no nariz do Rato.
O Rato sacudiu a cabeça, com impaciência, e disse, sem abrir os olhos:
- Justamente! Era justamente isso que eu ia dizer!
- E então, encontrou a resposta para a minha adivinhação? - perguntou o Chapeleiro, virando-se para Alice.
- Não, desisto - respondeu Alice. - Qual é a resposta?
- Não tenho a menor idéia - respondeu o Chapeleiro.
- Nem eu - disse a Lebre de Março.
Alice suspirou, irritada:
- Acho que vocês poderiam aproveitar melhor o tempo. Ele e precioso demais para ser perdido com adivinhações que não têm resposta.
- Se você conhecesse o Tempo tão bem como eu - disse o Chapeleiro -, você não falaria dele
assim. O Tempo é um senhor.
- Não estou percebendo o que você quer dizer - disse Alice.
- Naturalmente que você não está percebendo - disse o Chapeleiro, sacudindo a cabeça com
desprezo. - Aposto que você nunca falou com o Tempo.
- Não, realmente... - respondeu Alice prudentemente. - Tudo que sei a respeito é que, quando
estudo música, minha professora me diz que é preciso marcar o tempo.
- Então está tudo explicado - disse o Chapeleiro. - O Tempo não gosta de ser marcado. Ele não é nenhuma mercadoria, para que o marquem. Aborreceu-se com você. Se, ao contrário, você estivesse em boas relações com ele, ele faria com o relógio o que você quisesse. Por exemplo, digamos que fossem nove horas da manhã, justamente a hora em que você deve começar a fazer as suas lições: bastaria você cochichar uma palavra no ouvido do Tempo e, num instantinho, o ponteiro do relógio começaria a correr. "E meio-dia - diria ele -, hora do almoço."
- Que bom se fosse mesmo! - disse a Lebre de Março, em voz baixa.
- Seria ótimo, é claro - disse Alice, com ar pensativo. - Mas éque nesse caso... eu talvez não estivesse com fome.
- Talvez não, no momento em que o ponteiro chegasse ao meio-dia. Mas você poderia fazê-lo ficar nessa hora o tempo que desejasse.
- E assim que você faz?"
Apenas Algumas idéias......
Obs: Sir Lewis Carroll estaria prevendo a teoria da Relatividade de Einstein 1905???
Obs1: Saudade do meu tempo de Alice, onde meus problemas em sã consciência eram não ter uma determinada boneca e tombos no chão....como era mágico ser criança, a minha mente tudo resolvia como q num passe de mágica....e na minha cabeça o mundo era como eu queria q fosse.....Ai k saudade.....O fato é, parte de mim nunca deixou de ser Alice.
****(Sonhar....Imaginar....é o q faço de melhor)****

Um comentário:
- Gatinho de Cheshire... podia me dizer, por favor, qual é o caminho pra sair
daqui?
-- Isso depende muito do lugar para onde você quer ir - disse o Gato.
-- Não me importa muito onde.. -- disse Alice.
-- Nesse caso não importa por onde você vá, quando não se tem para onde ir,
qualquer caminho serve -- disse o Gato.
-- ... contanto que eu chegue a algum lugar -- acrescentou Alice, como
explicação.
-- É claro que isso acontecerá -- disse o Gato -- desde que você ande
bastante.
-- Que espécie de gente vive por aqui?
-- Naquela direção -- disse o Gato, apontando com a pata direita -- mora um
Chapeleiro. E naquela -- acrescentou, levantando a outra pata -- mora a
Lebre de Março. Visite um ou outro, tanto faz, ambos são loucos.
-- Mas eu não quero me encontrar com gente louca -- observou Alice.
-- Você não pode evitar isso -- replicou o gato.-- Todos nós aqui somos
loucos. Eu sou louco. Você é louca.
-- Como sabe que eu sou louca? -- Indagou Alice.
-- Deve ser, -- disse o gato, -- ou não teria vindo aqui.
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