Por
Fernanda Souza
Síntese
Quando você se foi
Minha alegria também se foi
Restou dor
Lamentações
Pesares
E muitos pensamentos
Do amor fiz um jogo,
inocente fui.
Desejei de você tudo ter,
e a você nada quis oferecer.
E assim pensando fui agindo,
que por impulso perdendo,
esvaindo
gota a gota,
dia a dia.
De um amargo penar.
Muito sofri.
Quanto a ti?
Enfim essa é uma história de amor,
sem final feliz.
Hoje desamor,
a história que eu fiz.
De um torto caminho,
de esperanças vazias.
Enfim uma história
E eu nesse momento sigo,
querendo-te,
esperando-te.
Até...que...
Até... que...algo maior em mim surja.
Agora?
Seja eterno.
Mais que eterno, duradouro.


Um comentário:
Eros e Psique
Fernando Pessoa
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
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