O Barroco é um estilo do século XVII que diverge do Renascimento, pois coloca ênfase na emoção e não na racionalidade, no dinâmico e não no estético, como se os artistas barrocos pegassem as figuras da renascença e as pusessem num redemoinho.
A pintura barroca se resume em alguns pontos principais:
1º) A disposição dos elementos na tela quase sempre numa composição diagonal;
2º) Acentuado contraste de claro-escuro, o que intensifica a expressão de sentimentos.
A pintura barroca voltou-se para religiosidade, a vida da nobreza e também a vida do povo simples.
Michelangelo Mersi da Caravaggio (1573-1610) não se interessou pela beleza clássica que tanto encantou o Renascimento, tanto é que Caravaggio buscava inspiração em modelos que era pessoas comuns como: vendedores, músicos ambulantes, enfim, entre pessoas do povo. Para ele não havia identificação, tão comum na época, entre beleza e classe aristocrática. Preferia a humanidade vulgar, mas atual das feiras e tavernas repletas de vendedores de frutas, músicos ambulantes, ciganos e prostitutas. Caravaggio levou este principio estético às últimas conseqüências, a ponto de ter sido acusado de usar o corpo de uma prostituta fisgada morta no rio Tibre para pintar a Morte da Virgem. Por esse e outros motivos Caravaggio ficou conhecido como “pintor maldito”.
O elemento que mais caracteriza a pintura de Caravaggio é o modo revolucionário como ele usa a luz. Ela não aparece como reflexo da luz solar, mas é criada intencionalmente pelo artista para dirigir a atenção ao observador. E isso foi tão extraordinário e fundamental em sua obra que ele é conhecido como fundador de um estilo denominado “luminista”.
Nossa obra é intitulada São Jerônimo, sendo uma pintura a óleo datada de 1605-1606, tem as dimensões de 118 X 81cm (1,18 X 0,81m) e se encontra no Museu de Montserrat em Barcelona.
Nosso objetivo foi retratar e efemeridade e vaidade existente no ser humano e para tanto decidimos atrelar nossa idéia do efêmero e passageiro em um produto que está intimamente ligado ao transitório, que o cigarro. Partindo do pressuposto que o Ministério da Saúde obriga por lei os fabricantes de cigarros alertarem seus consumidores dos malefícios provocados pela nicotina e demais substâncias tóxicas encontradas nos cigarros, escolhemos um desses diversos males que é o envelhecimento precoce e dessa forma decidimos usar a pintura chamada São Jerônimo, de Carravagio, para ilustrar nosso principal tema que é a efemeridade e vaidade, temas recorrentes nas obras de Caravaggio que sempre criticou duramente a sociedade aristocrática envolta em “pompas e circunstâncias” à dura realidade de que todos somos iguais e teremos o mesmo triste fim da morte.
Acreditando que Caravaggio secularizou a arte religiosa, fazendo os santos parecerem pessoas comuns e os milagres eventos do cotidiano, acreditamos que a figura, ainda que santa de São Jerônimo, so quadro se encaixa perfeitamente ao propósito de nossa peça gráfica.
É interessante ressaltar que São Jerônimo traduz a austeridade do personagem nas próprias cores e linhas: o dinamismo se limita aos braços estendidos do eremita; o cromatismo se reduz ao vermelho de seu manto e a dois tons de marrom e amarelo-pálido, com toque de branco. Já a caveira é uma advertência moral de que todos teremos a morte como certeza do fim de nossas vidas. É interessante enfatizar também que a caveira do quadro mexe diretamente com a vaidade humana e mesmo sendo São Jerônimo, um santo, ele se encontra envelhecido e decadente, mostrando mais uma vez que ele é um homem como outro qualquer e assim como todos os seres humanos, envelhecemos. A velhice tarda mas não falha e envelhecer é caminhar para o fim, a morte.
Ao analisarmos as cores que compõem a marca do cigarro, Free, que escolhemos para ilustração de nossa peça gráfica nos deparamos com o azul do escrito Free: que é uma cor que traz dentro dos seus diversos significados um significado em especial que se encaixa ao propósito de sua venda que é o triunfo, a liberdade. Essa cor chega a ser relaxante e serena, tende atenuar o estresse e tensões, o que ao nosso ver é um convite a uma informação que será posteriormente introduzida: a sedução. É um convite a pré-sedução do consumo. É interessante relatar a curiosidade de que o azul na Idade Média era a cor dos servos, o que indiretamente é um convite ao acesso do produto a todas a classes. Antagonicamente a esse significado, existe a utilização do termo sangue azul denominação utilizada para se referir a aristocracia, o que pode dar requinte ao produto. A sedução se faz de fato com o vermelho que compõe a logomarca do cigarro, que de fato é mais vibrante e excitante, que vem em segundo plano para aquecer o olhar do consumidor, provocando de forma sutil e bem refinada a forma de consumo. Outro elemento importante de se ressaltar é a forma dos traços da logomarca, dão idéia de assimetria, diagonalização, o que se encaixa perfeitamente ao tema barroco.
É interessante notar que o vermelho pode também gerar uma energia de superioridade, que tende a levar ao esnobismo, à arrogância e por fim ao isolamento, típicos de pessoas extremamente vaidosas. É bom lembrar também que o vermelho na Idade Média era a cor da nobreza, o que reforça o requinte e desperta o desejo do consumo. Os aspectos negativos dessa cor podem resultar num comportamento fanático, monopolizador e autoritário, típicos de pessoas vaidosas. É claro que a industria tabagista pretende despertar a vaidade em cada um de nós, de forma a embutir em nós um vício e nos controlar.
Já a cor preta da peça dá um tom austero e integro, o que mascara todos esses sentimentos relacionados à vaidade, efemeridade e manipulação.
Feita essas análises sobre as cores da peça gráfica, devemos relaciona-la também as cores do quadro. Como podemos ver no quadro, o escuro típico das obras barrocas dá um aspecto fúnebre, triste, de morte e trevas, o que reforça mais ainda a justificativa da efemeridade retratado em nosso trabalho. Já o vermelho de seu manto pode sugerir o sangue de cristo, o luto da Igreja Católica, reforçando dessa forma a morte e efemeridade. Já a parte mais clara, um branco “sujo”, do manto trás calma e tranqüilidade ao quadro, casando perfeitamente com o azul encontrado na logomarca.
quarta-feira, junho 25, 2008
Minha enibriante pesquisa sobre Caravaggio
Postado por
Strowick
às
4:01 PM
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